Orientação em contexto escolar
Os Programas Nacionais de Educação Física (PNEF) prevêem, na sua composição curricular, a abordagem da matéria de orientação, com a qual se pretende que os alunos desenvolvam a competência de “realizar percursos de nível elementar, utilizando técnicas de orientação e respeitando as regras de organização, participação e de preservação da qualidade do ambiente”.
No entanto, apesar de todas as escolas possuírem um espaço que permite a abordagem da matéria e do equipamento elementar para a sua prática ser relativamente acessível, a falta ou reduzida formação tem sido um argumento para a não inclusão da orientação no leque de matérias seleccionadas pelos grupos de Educação Física
Assim, tem-se adiado a sua abordagem na escola e o aproveitamento das condições naturais existentes na região, impossibilitando assim os alunos, a estudar nos estabelecimentos de ensino desta área geográfica, de aprenderem a modalidade.
Conscientes desta necessidade de formação dos seus associados, a Associação de Profissionais de Educação de Educação Física de Castelo Branco (APEFCB), em parceria com o Centro de Formação da Associação de Escolas Altotejo e com apoio do Agrupamento de Escolas Afonso de Paiva e da Escola Superior Agrária de Castelo Branco, promoveram a acção de formação “Orientação em Contexto Escolar” durante os meses de Outubro e Novembro.
Tendo em conta a possível diversidade de conhecimentos na matéria por parte dos formandos, o formador começou por fazer uma abordagem dos aspectos teóricos da matéria, incidindo essencialmente na história da modalidade, os vários tipos/disciplinas da orientação, os materiais e equipamentos utilizados na modalidade, tipos de percurso, algumas técnicas de orientação e questões relacionadas com a segurança.
Esta primeira abordagem verificou-se positiva, na medida que permitiu aos formandos enquadrarem-se com o tema, recordar alguns conhecimentos que já detinham e aprofundar outros.
Após esta primeira abordagem, a componente prática iniciou-se com situações de aprendizagem de níveis de dificuldade diferenciados e com uma sequência lógica para aplicação nas aulas de Educação Física. Durante esta primeira parte prática, os formandos tiveram a possibilidade de manusear material diversificado produzido pelo próprio formador, ficando assim demonstrado que é possível, em contexto escolar e sem “grande” material realizar situações de aprendizagem motivadoras e dinâmicas. Foram desenvolvidas actividades que contribuem para a identificação da simbologia básica utilizada numa mapa, para uma orientação correcta do mapa, segundo os pontos cardeais e/ou pontos de referência, utilizando como meio auxiliar a bússola.
Com o desenvolvimento da acção, nomeadamente com a realização de um percurso em meio rural, em Oledo, os formandos desenvolveram ainda a capacidade de identificarem a sua localização no espaço envolvente e no mapa, dando conta das dificuldades existentes para seleccionar a melhor opção de percurso, para atingir os pontos de passagem/controlo. Durante a realização deste percurso, para além da oportunidade de contactarem com um verdadeiro mapa de orientação, foi possível vivenciarem as dificuldades existentes na realização de percursos desta natureza, nomeadamente em questões relacionadas com segurança e tempo de realização.
Nas duas últimas sessões foram realizados percursos em ambientes distintos mas ambos muito interessantes. Na penúltima sessão foi realizado um percurso em ambiente urbano que permitiu contactarem com uma realidade adequada ao meio envolvente às escolas, reforçando a possibilidade de poderem promover uma actividade dinâmica e educativa para a comunidade educativa. Na última sessão, promovida na Escola Superior Agrária, para além de permitir contactar com um percurso já marcado no terreno, os formandos tiveram de preparar um percurso para outro grupo de trabalho e realizar um percurso distinto, marcado pelos mesmos.
Com base nas opiniões recolhidas junto dos formandos, a frequência da acção contribuiu para os formandos consolidarem e aprofundarem os seus conhecimentos, adquirindo bases para uma abordagem da matéria na escola, de forma adequada aos alunos.
As situações de aprendizagem vivenciadas, o manuseio de material diversificado e os percursos realizados permitem uma maior segurança e capacidade de intervenção na escola, o que contribuirá para que possam abordar a matéria com os seus alunos e motivar outros colegas a leccionarem a mesma, realizando para isso, se necessário e com o material de apoio fornecido pelo formador, formação interna.
Actualizado em (Quarta, 30 Dezembro 2009 03:19)





